Paróquia Rosa Mística

Mês: abril 2017

UM SÓ DEUS! MUITAS RELIGIÕES…

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Penso que a imensa maioria dos seres humanos acredita que há um só Deus. Contudo, os modos de “entender” e a maneira de relacionar-se com este Ser Supremo variam muitíssimo. A situação social, política, cultural e muitos outros fatores pessoais e coletivos influenciam a manifestação religiosa de cada pessoa e dos povos.

Parodiando a frase bíblica do Gênesis: “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”, afirma-se jocosamente que o ser humano idealiza “deuses” à sua imagem e semelhança. Brincadeira à parte, percebemos claramente a existência de muitas religiões, igrejas e as mais diversas formas de culto.

Define-se religião como a forma concreta, visível e social, de relacionamento pessoal e comunitário do homem com Deus. Não há povo, por mais primitivo que seja, sem religião. Esta disposição religiosa não constitui algo secundário no ser humano. Ao contrário, trata-se de uma atitude que envolve todo o seu ser em busca de sentido para a própria vida, a história e o universo.

A atitude essencial para vivenciar qualquer religião autêntica é a fé. Pela fé, o ser humano confia em Deus e acredita num futuro melhor, na fraternidade humana e na vida após a morte. Sabemos que a experiência religiosa é vivenciada, comunitariamente, através das Igrejas ou das grandes tradições religiosas da humanidade.

Diante desses fatos, é importante, penso eu, termos uma atitude bem clara e definida. Por um lado tenho respeito e até admiração pelos aspectos positivos e valiosos que percebem outras Igrejas ou crenças. Por outro lado (e isto é fundamental hoje), diante do pluralismo religioso, é necessário afirmarmos a nossa identidade religiosa com muita convicção.

Nós cristãos católicos professamos verdades reveladas (dogmas) e observamos  mandamentos que nos tornam participantes do grande Povo de Deus espalhado pelo mundo inteiro. A nossa prática religiosa  coerente, em especial o nosso testemunho de caridade – amor a Deus e ao próximo – é o “serviço” que prestamos aos irmãos das Igrejas Cristãs e a toda a humanidade. Temos uma tarefa a cumprir, uma missão a desempenhar: “Renovar tudo em Cristo, para que todos sejam um, conforme a oração sacerdotal de Jesus na última ceia (Jo 17).

Cabe a nós o testemunho de uma religião, vivida na Igreja Cristã Católica que seja atraente para todos os seres humanos em busca de um sentido bonito e verdadeiro para a vida pessoal e social.

 

   Pe. João de Bona Filho  – Pároco –

 

 

 

 

O DÍZIMO NA IGREJA CATÓLICA

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                  MUITOS PADRES e também fiéis católicos acham difícil falar sobre este assunto, principalmente por causa das deturpações que tantos ditos “pastores” – na verdade autênticos “mercadores da fé” – vêm promovendo nos últimos anos, usando de meia dúzia de passagens bíblicas como armas para extorquir e explorar pessoas simples e sem instrução. De fato é muito simples usar textos isolados da Bíblia para justificar qualquer ideia, e o próprio Satanás usou das Escrituras para tentar nosso Senhor Jesus Cristo, dizendo: “Está escrito…” (Mt 4,1-11, Mc 12,13 e Lc 4,1-13). Assim enriquecem, cada vez mais, os falsos profetas. O significado verdadeiro do dízimo, porém, é justo e verdadeiramente cristão.

                  Nos tempos do Antigo Testamento, a Lei de Moisés prescrevia o pagamento obrigatório de 10% dos rendimentos do fiel (pagos na forma de bens e mantimentos, principalmente produtos agrícolas) para manter a tribo de Levi e os sacerdotes, responsáveis pela manutenção do Tabernáculo e depois do Templo, já que eles não tinham direito a heranças e territórios. Esses mantimentos eram também usados para assistir aos órfãos, viúvas e pobres em suas necessidades. Depois da destruição do Templo (no ano 70 dC), a classe sacerdotal e os sacrifícios cessaram, e os rabinos passaram a recomendar que os judeus prestassem auxílio aos mais necessitados.

                  Por ser Cristo o Supremo Sacerdote, consumou o sacerdócio levítico com todas as suas leis, dízimos e costumes, como esclarece o Apóstolo São Paulo na Carta aos Hebreus (Hb 7,1-28): “Com efeito, mudado o sacerdócio, é necessário que se mude também a lei” (Hebr 7, 12). Mais adiante, o mesmo santo Apóstolo arremata: “Com isso, está abolida a antiga legislação, por causa de sua ineficácia e inutilidade” (Hb 7,18).

                  Hoje, o dízimo é uma doação regular e proporcional aos rendimentos do fiel, que todo batizado deve assumir. É antes de tudo uma grande graça, pois é uma forma concreta que o cristão tem para manifestar a sua fé em Deus e o seu amor ao próximo, já que é por meio dele que a Igreja se mantém em atividade, sustenta seus trabalhos de evangelização e realiza muitas obras de caridade e assistência aos menos favorecidos. Pelo dízimo, podemos viver as três virtudes mais importantes para todo cristão: a Fé, a Esperança e o Amor-caridade, que nos levam mais perto de Deus. O dízimo é um compromisso. Representa a nossa vontade de colaborar, de verdade, com o Projeto Divino neste mundo.

                  A palavra “dízimo” significa “décima parte”, e a sua origem está nos 10% que os judeus davam de tudo o que colhiam da terra com o seu trabalho. Também hoje todos são convidados a oferecer, de fato, a décima parte daquilo que ganham, mas isso não é um preceito: ninguém é obrigado e ninguém deve ser constrangido a fazê-lo. O importante é entender que o dízimo não é esmola. Deus, que jamais nos priva da nossa liberdade, merece a doação feita com alegria. – O que é doado de boa vontade faz bem a quem dá e a quem recebe!

O que é preciso para ser dízimo?

                  Cada pessoa deve definir livremente, sem tristeza nem constrangimento, qual percentual dos seus ganhos irá separar para o dízimo. Como visto, a Igreja não exige a doação de 10% de tudo o que você ganha. Porém, para ser considerado dízimo, é preciso que seja realmente um percentual, isto é, uma porcentagem dos seus ganhos, sendo no mínimo 1%. Se alguém ganha R$ 1.000,00 e oferece R$ 10,00, isto ainda pode ser considerado dízimo. Menos do que isso, porém, seria uma oferta.

                  A experiência pastoral comprova: aqueles que, confiantes na Providência Divina, optaram pelo dízimo integral, isto é, pela doação dos 10% de tudo o que ganham, não se arrependeram nem sentiram falta em seus orçamentos: ao contrário, muitos dizimistas dão o seu testemunho: depois que passaram a contribuir com a Igreja e a comunidade dessa maneira, passaram a se sentir especialmente abençoados: Deus não desampara os que nele confiam.

                  Mas isso não quer dizer que devemos dar o dízimo esperando “ganhar em dobro”, nem receber algo em troca, como se pudéssemos barganhar com Deus. Aqueles que ensinam tais coisas nada entendem de cristianismo, não compreendem o contexto bíblico e menos ainda o significado de partilha, tão presente na Igreja primitiva. Jesus Cristo diz que há mais bem-aventurança em dar do que em receber (At 20, 35). Dar pensando no que se receberá de volta, portanto, não é dar, é negociar, é trocar, é barganhar. Só é possível dar, no sentido cristão, quando não se espera nada em troca.

                  A entrega do dízimo normalmente é mensal, porque a maioria das pessoas recebe salário todo mês. Já os que recebem semanalmente, por exemplo, podem combinar de entregá-lo uma vez por semana. O importante é saber que o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que se recebem os ganhos regulares.

                  Já as ofertas são doações espontâneas, com as quais o fiel também pode e deve participar da vida em comunidade, mas nesse caso não existe a regularidade, como no caso do dízimo. – Você pode e deve doar na hora do ofertório, durante as Missas, ou fazer depósitos nas caixas de coleta, mas não se trata de um compromisso fixo assumido com Deus, e sim de uma manifestação de amor e de confiança.

                  Cada vez mais católicos se conscientizam da importância do dízimo e das ofertas. É bom encontrar as igrejas limpas, bem equipadas, com tudo funcionando bem… Mas, infelizmente, muitos se esquecem de que, para isso, todos precisam colaborar! Somos a Família do Senhor, e cada templo da Igreja é uma casa de todos nós. A Igreja conta com o seu desejo de viver em Cristo, de assumir de fato o papel e a missão de ser, junto com seus irmãos de fé, membro de um mesmo Corpo: aceite o chamado de nosso Pai Eterno e diga sim ao compromisso de levar adiante os trabalhos evangelizadores da sua paróquia. Informe-se sobre como se tornar um dizimista e faça bem a sua parte.

 

“Dê cada um conforme o impulso do seu coração,

sem tristeza nem constrangimento.

Deus ama a quem dá com alegria.”

(2Cor 9,7)

Fonte: O Fiel Católico.

Texto enviado por Osvaldo Cunha – Coordenador.