Paróquia Rosa Mística

Mês: outubro 2020

Sacramento da penitência e da reconciliação

O sacramento da Penitência, ou Reconciliação, ou Confissão, é instituído por Jesus Cristo para apagar os nossos pecados, cometidos após nosso Batismo. É o sacramento da cura espiritual, chamado também sacramento da conversão porque realiza, sacramentalmente, nosso retorno aos braços do Pai depois que nos afastamos com o pecado. É o sacramento da graça de Deus em nossa vida.

No sacramento da Reconciliação, somos convidados a reorientar nossa vida para Deus, de todo coração, a romper com o pecado e mudar de vida. A conversão é obra da graça porque Deus chega antes em nosso coração e nos dá força para começar de novo, o Espírito Santo nos dá a graça do arrependimento e da conversão.

O Papa João Paulo II passou os últimos anos da sua vida pedindo que os católicos pudessem retornar à confissão, inclusive através da Encíclica Ecclesia de Eucharistia: “Sinto a necessidade premente de exortá-los, como fiz no passado, a redescobrir para si mesmos e ajudar os outros a redescobrirem a beleza do sacramento da reconciliação”.

O Papa Francisco, em seu livro O nome de Deus é Misericórdia, afirma que vivemos um tempo oportuno para o retorno à Confissão porque hoje se vive um duplo drama: “perdeu-se o sentido do pecado, e ele é considerado também incurável, imperdoável”. Por isto, a humanidade ferida por tantas “doenças sociais” como pobreza, exclusão, escravidão, relativismo, tem necessidade de misericórdia Deus, que permanece sempre fiel, mesmo que o pecador o renegue.

É preciso voltarmos à confissão, pois o pecado impõe um fardo às nossas costas, é uma violação da finalidade proposta por Deus ao nosso próprio ser.

A rompermos com o pecado, iniciamos um processo de redefinição do nosso ser, a partir da graça de Deus em nós, criando novos hábitos de virtude. “Deus está determinado a libertar os seus filhos da escravidão e conduzi-los à liberdade”, disse o papa Bento XVI. “E a escravidão pior e mais profunda é a do pecado”.

O Papa Francisco recorda que “no diálogo com o confessor é necessário ser ouvidos, não interrogados”. Neste sentido, o sacerdote deve aconselhar com delicadeza. Mas para obter a misericórdia de Deus é importante reconhecer-se pecador, porque “o coração em pedaços é uma oferta agradável ao Senhor, é o sinal de que estamos conscientes de nossa necessidade de perdão, de misericórdia”.

A confissão ajuda a nos conhecer, nos obriga a olhar para as nossas vidas objetivamente. Ensina-nos a separar os verdadeiros pecados dos sentimentos ruins e a nos vermos como realmente somos. O papa Bento XVI afirmou: “A confissão nos ajuda a ter uma consciência mais alerta, mais aberta e, portanto, também nos ajuda a amadurecer espiritualmente e como pessoas humanas”.

E para aqueles que afirmam que na Igreja existe muita misericórdia, o Papa Francisco responde, sublinhando que a Igreja condena o pecado, mas ao mesmo tempo abraça o pecador que se reconhece como tal, fala a ele da misericórdia de Deus. É necessário perdoar setenta vezes sete, isto é, sempre, porque “Deus é um pai cuidadoso, atento, pronto em acolher qualquer pessoa que dê um passo ou que tenha o desejo de dar um passo” em direção a ele, e “nenhum pecado humano, por mais grave que seja, pode prevalecer sobre a misericórdia e limitá-la”. A Igreja, portanto, “não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus”.

Deus manifesta seu amor infinito por meio da compaixão e misericórdia; a primeira tem um rosto mais humano. A segunda, por sua vez, é divina. De fato, Jesus não olha à realidade a partir do exterior, como se tirasse uma fotografia, mas deixa-se envolver. Hoje existe necessidade desta compaixão para que, com ela, se possa vencer a indiferença do mundo atual.

A confissão é um encontro pessoal com Cristo, e é Ele quem nos cura e nos perdoa através do ministério do sacerdote. Por isso, temos um encontro pessoal com Cristo no confessionário.

Assim, os efeitos do sacramento da Penitência são a reconciliação com Deus e com a Igreja, a recuperação da graça santificante, o aumento das forças espirituais para caminhar para a perfeição, a paz e a serenidade da consciência com uma viva consolação do Espírito.

Quem tem dificuldades para confessar-se deve considerar que o sacramento da Penitência é um dom maravilhoso que o Senhor nos deu. No tribunal da Penitência, o culpado, se arrependido, jamais é condenado, mas sempre absolvido, pois quem se confessa não se encontra com um simples homem, mas com  Jesus, o qual, presente em seu ministro (sacerdote), como fez um tempo com o leproso do Evangelho, também hoje nos toca ou nos cura; e, como fez com a menina que jazia morta nos toma pela mão repetindo aquelas palavras: “Talita kumi, menina,  eu te digo, levante-te!”. “Vai-te e não peques mais”, com essa expressão Jesus despede a pecadora que não foi condenada, e nos apresenta o grande amor do Senhor, compaixão e perdão para com os pecadores.

O Papa Francisco no seu livro O nome de Deus é misericórdia, afirma que “A Igreja não está no mundo para condenar, mas para promover o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso aconteça, é necessário sair. Sair das igrejas e das paróquias, sair e ir à procura das pessoas por onde elas se encontram, onde sofrem, onde esperam”. Saiamos ao encontro das pessoas, mostremos a importância desse rico sacramento. Saiam da sua realidade de conforto e pecado e procurem na, confissão, a santificante Graça de Deus.